Autonomia 72
Vera Mantero
Num futuro próximo, os cidadãos são preparados para sobreviverem a um eventual colapso da sociedade, durante 72 horas, sem ajuda organizada do Estado. Num centro de testagem, três cidadãos são submetidos a provas físicas, cognitivas e comportamentais até que um Evento Excepcional transforma o exercício numa situação real. Quando os protocolos deixam de oferecer respostas, os cidadãos são confrontados com os limites de uma autonomia levada ao extremo. Entre a ficção distópica e a comédia catastrófica, Autonomia 72 confronta a ambição de protecção total do Estado com a imprevisibilidade de um futuro cada vez mais incerto.
Estreia e Circulação
Centro Cultural de Belém 18 a 20 Dezembro 2026 (estreia)
Casa Artes de Famalicão 15 Janeiro 2027
Teatro Miguel Franco – Leiria 22 Janeiro 2027
Cineteatro São Pedro – Alcanena 29 Janeiro 2027
Teatro Aveirense 29 Maio 2027
Este convite da Companhia Maior deixa-me muito honrada. A Companhia Maior é, provavelmente, o primeiro grande projecto performativo a abordar a questão do envelhecimento activo nas artes do espectáculo em Portugal. Para mim, enquanto criadora quase sexagenária, que vem sentindo de forma mais acutilante o passar do tempo sobre o corpo e os efeitos que isso carrega, não só para o corpo mas em todas as demais dimensões sociais, esta criação é, mais do que fundamental, necessária no meu percurso. Não que isso me obrigue necessariamente a falar sobre o tempo, o corpo ou o envelhecimento.
Trabalhar com estes artistas será em si, à partida, esse gesto político e artístico sobre o qual me interessa debruçar. O que advier daí será sempre fruto de algo que extravasa o político, que quer entrar no domínio do particular e do afectivo, que deveriam ser os propósitos maiores do político.
Vera Mantero
Coreógrafa
A admiração pelo trabalho singular e robusto de Vera Mantero e pela poesia acutilante das suas interrogações e proposições motivou o nosso convite. Não lançámos qualquer questão-farol pois quisemos abrir um campo livre, a desenhar pelos seus métodos de pesquisa e composição, para o encontro com as realidades pessoais, sociais e culturais que a Companhia Maior incorpora.
Mas no verão passado chegou às livrarias um título que diz muito sobre o enclave onde a idade maior está situada e sobre o qual nos temos debruçado:
Numa sociedade em que tudo o que não é absorvido na lógica capitalista de valorização é empurrado para o estatuto de inferior e deficiente, também a velhice nunca pode ser outra coisa senão uma deficiência e algo de perturbador. (Velhos Supérfluos, Andreas Urban, 2024).
A Companhia Maior demonstra o valor do envelhecimento criativo para a saúde, bem-estar e coesão social, e a importância da sua grande visibilidade em palco. Assim, contraria o estereótipo idadista que acentua a fraqueza, dependência ou inutilidade das pessoas maiores, retirando-lhes o direito à felicidade. Ora, como cantavam os Titãs criticando o assistencialismo à pobreza: “a gente quer a vida como a gente quer… quer bebida diversão e arte… quer inteiro e não pela metade” (Comida, 1989). E então surge a pergunta que encontramos noutro livro: “Ser feliz é imoral? “(António P. Ribeiro, 2000, Cotovia). São ideias que pairam na identidade e pensamento atual da nossa companhia.
Paula Varanda
Direção Artística da Companhia Maior
Ficha Técnica e Artística
Direcção Artística e Criação
Vera Mantero
Texto a partir de uma ideia original de
Joana Bértholo
Assistência de Direcção Artística
Beatriz Marques Dias
Interpretação
Cristina Gonçalves
Edmundo Sardinha
Fernando Crespo
Isabel Simões
João Silvestre
Maria Emilia Castanheira
Participção Especial
Miguel Pereira
Desenho de Som
Diogo Alvim
Cenografia
João Ferro Martins
Figurinos
Marisa Escaleira
Desenho e Operação de Luz
Joana Mário
Companhia Maior
Direção Artística
Paula Varanda
Coordenação Executiva
Sofia Gomes
Vídeo e Fotografia
João Cardoso Ribeiro
Assistente de Produção
Henrique Antunes
Apoio: Câmara Municipal de Lisboa – RAAML
Parceiro Institucional: República Portuguesa – Ministério da Cultura, Juventude e Desporto
Rumo do Fumo
Direcção de Produção e Difusão
João Albano
Produção Executiva
Patrícia Teixeira
Gestão de Projecto
Daniela Ribeiro
Redes Sociais
Carlota Borges Lloret
O Rumo do Fumo é uma estrutura financiada por República Portuguesa | Cultura/ Direcção Geral das Artes e Câmara Municipal de Lisboa
Co-produção
Centro Cultural de Belém,
Teatro José Lúcio da Silva,
Casa das Artes de Famalicão
Cine-teatro São Pedro – Alcanena
Foto: @Arnaud Beelen

