Nova Criação 2026-27
Vera Mantero
Estreia e Circulação
Centro Cultural de Belém 16 a 18 Dezembro 2026 (estreia)
Casa Artes de Famalicão 15 Janeiro 2027
Teatro Miguel Franco – Leiria 22 Janeiro 2027
Cineteatro São Pedro – Alcanena 29 Janeiro 2027
Teatro Aveirense 8 Maio 2027
Este convite da Companhia Maior deixa-me muito honrada. A Companhia Maior é, provavelmente, o primeiro grande projecto performativo a abordar a questão do envelhecimento activo nas artes do espectáculo em Portugal. Para mim, enquanto criadora quase sexagenária, que vem sentindo de forma mais acutilante o passar do tempo sobre o corpo e os efeitos que isso carrega, não só para o corpo mas em todas as demais dimensões sociais, esta criação é, mais do que fundamental, necessária no meu percurso. Não que isso me obrigue necessariamente a falar sobre o tempo, o corpo ou o envelhecimento.
Trabalhar com estes artistas será em si, à partida, esse gesto político e artístico sobre o qual me interessa debruçar. O que advier daí será sempre fruto de algo que extravasa o político, que quer entrar no domínio do particular e do afectivo, que deveriam ser os propósitos maiores do político.
Vera Mantero
Coreógrafa
A admiração pelo trabalho singular e robusto de Vera Mantero e pela poesia acutilante das suas interrogações e proposições motivou o nosso convite. Não lançámos qualquer questão-farol pois quisemos abrir um campo livre, a desenhar pelos seus métodos de pesquisa e composição, para o encontro com as realidades pessoais, sociais e culturais que a Companhia Maior incorpora.
Mas no verão passado chegou às livrarias um título que diz muito sobre o enclave onde a idade maior está situada e sobre o qual nos temos debruçado:
Numa sociedade em que tudo o que não é absorvido na lógica capitalista de valorização é empurrado para o estatuto de inferior e deficiente, também a velhice nunca pode ser outra coisa senão uma deficiência e algo de perturbador. (Velhos Supérfluos, Andreas Urban, 2024).
A Companhia Maior demonstra o valor do envelhecimento criativo para a saúde, bem-estar e coesão social, e a importância da sua grande visibilidade em palco. Assim, contraria o estereótipo idadista que acentua a fraqueza, dependência ou inutilidade das pessoas maiores, retirando-lhes o direito à felicidade. Ora, como cantavam os Titãs criticando o assistencialismo à pobreza: “a gente quer a vida como a gente quer… quer bebida diversão e arte… quer inteiro e não pela metade” (Comida, 1989). E então surge a pergunta que encontramos noutro livro: “Ser feliz é imoral? “(António P. Ribeiro, 2000, Cotovia). São ideias que pairam na identidade e pensamento atual da nossa companhia.
Paula Varanda
Direção Artística da Companhia Maior
Ficha Técnica e Artística
Direcção Artística e Criação
Vera Mantero
Texto e Dramaturgia
Joana Bértholo
Assistência de Direcção Artística
Beatriz Marques Dias
Interpretação
6 intérpretes Companhia Maior + Miguel Pereira
Música e Desenho de Som
Diogo Alvim
Luz
Joana Mário
Cenografia
João Ferro Martins
Figurinos
Marisa Escaleira
Produção Executiva e Difusão
João Albano / O Rumo do Fumo
Companhia Maior
Paula Varanda Direção Artística
Sofia Gomes Coordenação Executiva
Co-produção
Centro Cultural de Belém
Casa das Artes de Famalicão
Teatro José Lúcio da Silva
O Rumo do Fumo é uma estrutura financiada por
República Portuguesa – Cultura | Direcção-Geral das Artes e Câmara Municipal de Lisboa
Companhia Maior
Apoio: Câmara Municipal de Lisboa – RAAML
Parceiro Institucional: República Portuguesa – Ministério da Cultura, Juventude e Desporto
Foto: @Arnaud Beelen

